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[Terça-feira, Dezembro 15, 2009]
Viva o espírito natalino!
"Deixei Meu Sapatinho, Na Janela Do Quintal.
Papai Noel Deixou, Meu Presente De Natal.
Como É Que Papai Noel, Não Se Esquece de Ninguém.
Seja Rico Ou Seja Pobre, O Velhinho Sempre Vem.
Seja Rico Ou Seja Pobre, O Velhinho Sempre Vem."
Eu realmente não suporto mais escutar essa música. Como temos coragem, ou cara pra cantar essa canção? Eu acho que estamos esquecendo da realidade. Oooooooh, estamos cegos! Ele sempre vem? Quem é o Papai Noel, afinal? Se não os nossos anseios consumistas que supostamente nos viriam como forma de recompensa. Ah, por favor. Isso tudo é pra alimentar o espírito natalino? Que tipo de espírito seria esse, que promove canções que igonoram a fome, a pobreza, as desigualdades. Pior ainda do que ignorar, mas afirmar que esses problemas não existem. Numa grande ilusão, na qual todos seriarmos presenteados. Esse tipo de espírito não me parece tão bom assim, na verdade, não me parece justo. Talvez, seja o jeito mesmo desse tal espírito natalino, chegado num fingimento. Então vamos todos se reunir, seguir essa linha. Nos juntamos todos e fingimos que nos amamos, que tal? Melhor, vamos desejar tudo de bom para todos, celebrar o nascimento do menino Jesus! ( afinal, ele nos salvou, não é?) Ainda melhor, vamos sorrir muito, comer bastante (quem pode, claro) e celebrar nossa adorável união. Adoro o natal ele me passa uma ideia de que tudo está certo. E, segundo a música, está mesmo. Posso ficar tranquila. Êêê chegou o Natal, viva o Natal! Ah, o Natal. Momento de paz pra todos! Ops,pra quase todos. Er, pra muito poucos...Pra ninguém. Mas vamos entrar no espiríto natalino!
Bella
Ainda sim, acho que lá no fundo, bem no fundo, exite um primo desse espírito que seja melhor e fraterno, talvez ele esteja em alguns. Então, chamem esse primo. Urgente!
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por CIRANDA DE DUAS * 8:18 PM
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[Segunda-feira, Novembro 09, 2009]
Certezas duvidosas
O sol brilhava com a alegria de quem anuncia a chegada do verão a uma flor outrora esplendorosa que míngua ainda com o solo encharcado de inverno. Era lá para 1997, eu estava no pé da ponte do lado de cá, só tinha atravessado para a vida havia poucos anos. Estava alegre, satisfeita, como não poderia deixar de estar diante daquilo que para mim era praticamente uma epifania. No meio das minhas divagações de menina, enquanto o rio desfilava gracioso embaixo de mim, meu pai me chamou para conversar. Foi a primeira vez que ouvi falar de futuro, a importância de estudar e outras coisas das quais quase nada pude entender. O fato é que de lá para cá as coisas mudaram. Cada ano que passava eu tinha menos tempo para observar o rio, para ver as flores se renovando na estação. Fizeram-me acreditar que era normal ir deixando boa parte da vida passar de lado, sem me tocar. Depois eu agradeceria, eu entenderia. Então eu me dediquei, mesmo achando um desperdício não viver plenamente aqueles tempos. Aqueles que na verdade são esses também, até agora. Não mais.
Uns anos depois daquela conversa eu achei que tinha alcançado o significado do que meu pai dizia, aquilo tudo de olhar para frente e precisar sacrificar um pouco o presente. Aos poucos adotei essa idéia como minha verdade absoluta, um objetivo que merecia todo esforço para se concretizar. Eu até podia viver outros momentos, respirar outros ares, mas sem perder o foco, jamais. E o foco era “fazer por onde para quando chegar o dia, ser recompensada”.
Pois é, o dia chegou e agora, toda a certeza que eu tinha se jogou da ponte. O mundo continua girando, as crianças ainda estão com fome, as calotas estão derretendo, as festas estão “bombando”, os olhos continuarão brilhando e o sol, o sol vai voltar amanhã e depois. Fiz por onde e não é certa a recompensa. A única coisa que me parece definitiva depois de tudo isso é que os tempos que passaram não vão voltar. Se recompensada eu não for, de que serviu tanta dedicação, tanta “bitolação”? Quão duvidosa é a certeza de que só há um caminho!
Bilinha
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por CIRANDA DE DUAS * 11:50 AM
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[Domingo, Outubro 04, 2009]
Pra quem achou que eu tinha abandonado o barquinho...
Tá ouvindo? Meu coração começou a bater rápido e forte de novo. Às vezes ele faz isso e eu nem entendo muito bem o por quê. Sei que acontece quando, sem desejar, me despeço de pessoas ou momentos os quais se tornaram especiais. E é aí que reside a confusão; porque uns sim e outros não de repente me fazem sentir tanta falta? Há ainda a esperança do reencontro, da renovação, mas o vazio agora é maior, ele quase me consome as forças, a energia. Não falo de um sentimento posto que este se prolonga, quando não imortaliza-se. É mais como uma sensação que vem forte, encontra a guarda baixa e, sem ser convidada, torna-se soberana sobre mim. É passageira, assim como o efeito inebriante do alucinógeno mais ilícito que houver. Não que eu seja viciada no que me causa agora tanta tristeza, até porque não posso identificar tal coisa previamente. Sou usuária dessa droga sem saber, desconhecendo-a. Uma hora estou ali, absorta num carpe diem intenso e inconsciente, e nem vejo o tempo passando e rindo de mim. Então, num piscar de olhos tudo se desfaz. E eu, que nem sabia que me envolveria tanto assim, me vejo tentando sufocar essa saudade instantânea, abafar o grito, segurar as lágrimas e fugir dessa tendência masoquista de me apegar ao que mais provavelmente vai embora.
escrito em 30/08/09
Bilinha
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por CIRANDA DE DUAS * 7:58 PM
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[Quarta-feira, Setembro 30, 2009]
Faltam três dias pro Enem e o que eu menos consigo fazer é revisar os assuntos, me culpar eu consigo. Eu ia colocar um texto que fala mais de escola e de educação. Mas, achei melhor um que tivesse a cara de confusão, de uma enorme quantidade de informações que explodisse em mínimos espaços de tempo. Mesmo não sendo tão bom, esse pareceu se encaixar.
Segundos
A lua chora na manhã de sol. O sol uiva nas luas cheias. O lobo canta para a raposa. As uvas dançam para ela. O vinho é o sangue do massacre. O côrte é a ferida dos pobres. O melhor da dor é o alívio que a segue. Os caminhos da vida são as diferenças. A anormalidade bateu na porta. A porta abriu. O abridor acolhe a tampa deformada. A lata é um sabor especial. É doce o gosto da inclusão. Você é um sonho de valsa. Uma barreira dura. Uma conquista imensurável. Prazer em comer. Odesejo do trovão é o relâmpago. O sonho do raio é o trovão. A núvem pede calma. A água já vai descer. Ele vai apertar a descarga. A água já vai descer. O bueiro recebe. O bueiro recebe. O bueiro recebe. O bueiro recebe..O esgoto trasborda. O rato faz a hora. Ele não espera acontecer. A espera chama a paciência. A paciência chama a impaciência. A impaciência chama para o Rio. Etende Regina. Regina joga paciência. Regina é paciente do Dr. Jurandir. O médico medica com medicamentos medicinais. As ervas são baaratas. O mundo explode e as baratas sobrevivem. O coração explodiu quando você veio. O sentimentalismo está doente. Minha vó está doente. Meu avô já morreu. A morte é a maior certeza. Maior que a morte é a incerteza. Avareza. Dinheiro. Bufunfa. Onças e cardumes comem a natureza. Natural não é cultural. O homem disse eu quero mais. O quero atraiu o mais e o cardume. O cardume disse não. Ele quer o mar. As águas choram pela lua. A lua chora na manhã de sol...
Bella
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por CIRANDA DE DUAS * 2:35 PM
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[Sábado, Agosto 29, 2009]
Lua
Eu vou bater em você com uma núvem até você brilhar em mim
Eu vou chorar no sol pra ver se ele deixa a lua em paz
Eu vou cantar músicas alegres para sua tristeza se pôr e se a lua quiser, não veremos mais o sol
Eu vou dançar no nosso isolamento pra ele não ficar mais só
Seremos dois, como o trovão e o raio, apenas se a lua quiser
Não acredite nos astrônomos
A única coisa que eu preciso ver é você brilhar
Bella
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por CIRANDA DE DUAS * 5:57 PM
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[Domingo, Agosto 02, 2009]
Mão agitadas, olhos tristes, nariz singular, boca alegre, orelhas cegas, pernas felizes, pés estáticos, braços meio abertos, toque despercebido, olhar tenso, cheiro agradável, sorriso irreal, melodia gritante, andar indeciso, sapatos quentes, abraço forte, mãos carinhosas, olhos intensos, nariz empinado, boca confiante, orelhas atentas, pernas direcioonadas, pés no céu, braços fervendo, mãos amassadas, olhar deitado, odor perfumado, beijos apertados, música, emaranhadas, juntos, entrelaçados.
Bella
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por CIRANDA DE DUAS * 6:33 PM
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[Quarta-feira, Julho 08, 2009]
Cansei de ser gente. De hoje em diante serei bicho.
Sábado à tarde e eu não vou ao salão consumir o sonho de beleza inalcançável que tentam me vender e me convencer o tempo todo de que preciso. Hoje a festa será na minha casa, com os meus, os que me fazem bem só por existirem e nem se importam com minhas unhas descascadas. Qualquer pingo de atenção, cada gesto carinhoso ou sorriso será retribuído com espasmos exagerados de alegria. Não quero mais me preocupar com coisas passageiras, nem mergulhar nesse caos que chamam de mundo, em direção ao qual sou empurrada pela massa de projetos mal sucedidos de seres humanos. Cansei de confusão, de ouvir “não”, dessa eterna depressão. Já risquei do meu dicionário a palavra “estresse”. A única coisa que vou temer é o desconhecido que habitar a minha imaginação, o que estiver além da minha curiosa inocência. Segunda-feira não vou a academia e jogarei no lixo a minha dieta. Nos domingos não vou a igreja cultuar o meu corpo. A princípio serei amigável a todos, indiferente aos que de alguma forma me desprezarem, mas só vou estranhar aqueles que me fizerem mal. Serei fiel e leal de corpo e alma aos que eu amar verdadeiramente, e somente a esses. Eles serão a minha diversão. E vou demonstrar sempre que puder o meu amor, muitas vezes ao dia. Não me interesso mais pelo que as pessoas têm a dizer, a ensinar, não quero mais saber. Meu guia será meu instinto. Quero outro conceito de “sujo”, de imprestável, de estragado. Quero me perder no tempo, sem pressa de viver, sem noção de fim. Me dedicarei como nunca ao que me faz bem e me recuso terminantemente a fazer qualquer coisa por obrigação. Xô pensamentos mesquinhos e ambições venenosas. Chega de seguir a correnteza, meu esporte será nadar contra ela. Adeus buzinas, fumaça e paisagens em preto e branco, eu tenho um encontro a luz de velas com a natureza. Vou subir nas pedras da cachoeira, encher os pulmões e admirar cada pôr do sol. A partir de hoje também não trabalho mais pra ninguém, vou ser produtora musical de uma banda antiga sem muito prestígio, a liberdade. Como não valorizo o conservadorismo, aceito novos integrantes a qualquer momento. Se lhe interessar, traga seu instrumento e me procure no meu escritório, uma rede branca montada a beira-mar daquela praia chamada vida.
Bilinha
escrito em 07/07/09
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por CIRANDA DE DUAS * 6:56 PM
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[Sexta-feira, Junho 05, 2009]
NO DIVÃ DO INCONSCIENTE
Entrevistado: o indivíduo contemporâneo
Entrevistador: o inconsciente
1) Para começar, me fale dos seus sentimentos nos últimos tempos.
Olhe, eu não tenho muito tempo pra pensar nisso. Mas assim, eu venho sentindo uma dor de cabeça e uma azia desmedida. Caso sério!
2) E a relação com a família, como está?
Ah! Quanto a isso está tudo bem. A correria é grande, você sabe, mas faço sempre uma das refeições do dia com minha família.
3)Vocês conversam sobre o que nesse momento?
Qué isso, doutor?! É falta de educação falar de boca cheia. E eu não tenho tempo para gastar só falando. Nos cumprimentamos antes de sentar a mesa. E quando eu chego do trabalho se tiver alguém acordado ainda, dou um “beijo de boa-noite”.
4) Quanto aos amigos...
Eu passo a maior parte do dia com eles, né?! Trabalhamos juntos, então convivência é grande. Conversamos sobre tudo: assuntos da empresa, assuntos de trabalho, estresse e até sobre o tempo!
5) Já que você fala tanto em trabalho, está satisfeito profissionalmente?
Nossa, mas que pergunta difícil. Acho que estou... Garante o sustento da casa, o que mais eu posso querer?!
6) Não sei... TALVEZ a realização de sonhos, exercer tarefas prazerosas, nunca se sabe. Houve tempo em que as pessoas procuravam isso na profissão, sabia?
Houve? Que estranho! E esse povo pagava as contas como? Ganhavam dinheiro como?
7) Bom, dizem por aí que quando se faz o que gosta vale a pena correr o risco de não ser rico. Dizem que as pessoas eram mais felizes naquele tempo também...
Sem ser rico?? Felicidade sem dinheiro... Não consigo nem imaginar tal coisa.
8) O senhor é rico. E não me parece exatamente feliz. O que diz a respeito disso? Onde estaria a felicidade então?
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Diagnóstico: paciente extremamente influenciável, alienado, condicionado intelectualmente, superficial em suas reflexões, apegado a bens materiais e pobre de espírito.
Tratamento: desconhecido.
Bilinha
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por CIRANDA DE DUAS * 7:10 PM
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[Sábado, Maio 30, 2009]
CONFUSÃO DO NADA
Vazio. O que seria esse vazio tão expressivo ou inexpressivo? Seria um novo(ou velho) sentimento? Na verdade não falta nenhum pedaço de nenhum órgão. Como se explica essa falta de algo, afinal temos a receita completa com igredientes da vida feliz? Então, como o vazio, pode estar presente?
Refletiremos sobre o vazio que nada mais é do que o próprio nada, sendo assim como pode estar presente, contido, sentido? A explicação está na razão: todo conjunto contém um subconjunto vazio, aquele que nada tem (?). Devemos nos conformar, é isso, pronto.
Não. Saber disso, nada me adianta para resolver esse que sinto.Começo a achar que não tem solução ou é apenas a falta de alguma coisa, aquela que eu devo buscar. Enfim, vazio é sinônimo de falta de algo. Deve ser. E o que está falatando nesse momento para que eu sinta tal coisa? Também não sei, não consigo explicar o nada, muito menos o que falta pro nada. Vazio.
Bella
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por CIRANDA DE DUAS * 5:39 PM
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[Segunda-feira, Maio 25, 2009]
SUB EXISTÊNCIA
Hoje eu acordei mergulhada em um mundo estranho
Passei na frente do espelho e não havia reflexo de mim
Meu cachorro não me reconheceu
Eu não o reconheci
Assisti as pessoas caminhando na rua
Como se tudo fosse meramente virtual
Em nenhum momento fiz parte daquilo
E por mais que eu tentasse interagir
Não sentia nada
Minhas coisas não tinham mais significado
As pessoas que sempre amei já não eram tão interessantes
Não assimilei nada do que disseram
Não quis opinar nem a meu respeito
A indiferença era mútua
Não tive prazer em nada
Nem perspectiva de me identificar com ninguém
Eram todos esquisitos, tudo desconhecido
Não senti fome
Não desejei realizar nenhum grande sonho
Na verdade, eu nem sonhei
Hoje eu não protagonizei nenhum romance chamado "vida"
Essa página ficou em branco
Apenas vi o tempo passar
Sentada na janela da minha existência
Que a dormência que agora me ataca
Traga profundas reflexões
Pois logo devo decidir
Se pulo para a rua
Ou se entro em casa de vez.
- escrito em 15/5/09 a respeito de um dia sombrio de minha vida ocorrido alguns dias antes.
Bilinha
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por CIRANDA DE DUAS * 9:37 PM
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[Quarta-feira, Maio 20, 2009]
Desculpe, eu não sou uma esponja
Qual é o peso de ser um peso? De ser um desgosto? De não atender as expectativas de alguém que você ama? De não ser do jeito que eu mesma gostaria que eu fosse? De representar um extremo sem causa, com intenção de aparecer? Qual é a sensação de não ser o padrão, não ser o “ideal” ?
Sou um ser em constante mutação, consequentemente o que eu penso se transforma, evoluindo ou não, é impossível que agrade a todos.
Não nego que esse pensar é uma mistura do complexo pensamento de todos que fazem parte da minha vida, em especial meus pais, meu irmão e meus amigos, somado com tudo que vejo, leio e escuto. Eles, cada um com sua parte me formam e fazem de mim eu mesma.
O grande problema disso tudo é que eu não sou uma esponja. Não absorvo tudo. Eu filtro o que passa por mim, critico, questiono e seleciono o que vou roubar pro meu cérebro. Isso te incomoda né? É, eu sei, talvez, eu disse talvez, poderia ser mais fácil se eu não pensasse nessas coisas, a alienação é tão doce, eu não ia nem sentir.
As coisas iam ser guiadas por um rumo diferente, com certeza, não iria me preocupar com a sua paranóia de status, amizade por interesse e posição social que você tanto preza. Desculpe, não vou mudar por você. Prefiro continuar dessa forma, lutando pelo que acredito, pelo menos até que meu pensamento se transforme. É, mesmo achando improvável, talvez, eu disse talvez, ele mude e eu veja que você tinha razão.
Bella
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por CIRANDA DE DUAS * 1:18 PM
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[Quinta-feira, Maio 14, 2009]
HUMOR NOSSO DE CADA DIA
Trabalhou até tarde, pegou no sono no sofá e acordou com o despertador berrando no ouvido, nem abriu os olhos ainda: VAMOS LÁ, EU LÍRICO! ENCONTRE ALGUMA RAZÃO QUE NOS GARANTA UM COMEÇO DE DIA FELIZ. TENHO DE VIVÊ-LO COMO SE FOSSE O ÚLTIMO DE MINHA VIDA. Abriu os olhos: POXA! ESTÁ CHOVENDO. UM FRIOZINHO DESSES É BOM PARA DORMIR... MAS TUDO BEM, O SOL HÁ DE APARECER TRAZENDO UM DIA LINDO. Levantou-se: PUTS! QUE PREGUIÇA! JURO QUE NÃO QUERO IR TRABALHAR HOJE. Tomou um banho agradável e comeu seu cuscuz levemente amanteigado com ovos mexidos do jeito que gosta. CERTO! PRONTO PARA MAIS UM DIA DE ESCRAVIDÃO! O tempo frio fez com que o carro velho demorasse a pegar, causando-lhe certa irritação: ORA BOLAS! PEGA LOGO, MERDA! AI, CALMA. NÃO POSSO ME ESTRESSAR TÃO CEDO. O QUE SERIA DE TODAS AS OUTRAS HORAS QUE TÊM TUDO PARA DAR CERTO? O trânsito estava suave, estranho. Chegou cedo contando com o reconhecimento do chefe por tal proeza, mas que nada! O chefe já estava de pá virada. Havia dormido pouco e seu humor era duvidoso. Ficou logo puto com algo que em que não obteve sucesso e saiu descontando em todos que apareciam em sua frente. AGORA DEU! EU LÁ TENHO CULPA SE A MULHER DELE ESTAVA COM “DOR DE CABEÇA” ONTEM À NOITE?! De repente, estava muito a fim de tomar um cafezinho pra se acalmar, mas descobriu que a máquina estava quebrada. SÓ TEM ANIMAL NESSE LUGAR, NEM UMA MÁQUINA DE CAFÉ SABEM USAR! Ficou nervoso e derramou chá (de camomila) fervendo sobre si, manchando a camisa nova e se queimando todo. PUUUUTA MERDA! O QUE MAIS FALTA ACONTECER NESTA...? OK. NEM TUDO ESTÁ PERDIDO. SAINDO DAQUI VOU SAIR COM MINHA ADORÁVEL NAMORADA E ISSO VAI COMPENSAR TODAS AS MAZELAS DE HOJE. Pegou o carro (que novamente demorou a pegar). No primeiro sinal vermelho (o 1º de muitos, quase todos) encosta um pivete jogando água no vidro e pedindo uns trocados. AH NÃO! TÔ TÃO BOM MESMO PRA AGUENTAR ESSAS PEITICAS! PEGA O BECO, MOLEQUE! Passou em casa para tomar um banho rápido, estava muito atrasado. Tentou relaxar. AH, RAPAZ! AGORA É SÓ ALEGRIA! Quando finalmente encontrou vaga na rua da casa da namorada, ela liga: OI, AMOR! TÔ AQUI NA FRENTE JÁ! “ENTÃO, AMOR... ESTOU COM UMA DOR DE CABEÇA SEM TAMANHO!...”
Viver o dia de hoje como se fosse o último é o cacete! Quem é que fica rindo a toa esperando a morte chegar? Quem agüenta se fingir de feliz o dia todo, todos os dias? O ministério da saúde adverte: Forçar o bem-estar faz mal. Viva o direito de curtir sinceramente cada emoção! Vamos respeitar o ovo quando ele amanhecer virado e o pé esquerdo quando ele quiser pisar primeiro no chão. O saco cheio de hoje valoriza a leveza do espírito amanhã, não se preocupe (ou preocupe-se, se tiver vontade).
E daí se o último dia da minha vida for um desses de mau-humor ou simplesmente de humor nenhum?! Aposto que isso é o que menos importa “no final das contas”.
Valeu Severina Retirante, pela inspiração (ANIMACIÓN!!) :D
Bilinha
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por CIRANDA DE DUAS * 7:57 PM
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[Sábado, Maio 09, 2009]
Eu estava andando, seguindo meu caminho de sempre, mergulhada nos meus pensamentos, quando de repente ouço uma voz:
- Ei, psiu!
Era uma voz masculina, grossa como a de um locutor de rádio. Me deu medo. Dei uma olhada pelo canto do olho, mas nunca em minha vida tinha visto tal fugura. Apressei o passo, claro, o que mais tem nesse mundo é ladrão.
A voz persistiu:
- Ei, ei moça!
Meu coração deu um pulo, me virei e falei:
- Tenho dinheiro não moço! Me deixa em paz...
Apressei ainda mais o ritmo.
- Quê? Não, não..
Pronto, ele não quer dinheiro, só pode querer me abusar, vai querer me estuprar, tô perdida. Comecei a correr e o homem veio atrás. Começou a perseguição. Eu corria, ele corria, eu corria, ele corria. A sorte foi que eu era rápida, ele já tava meio fora de forma. Mas que eu tava assustada, tava, não vou negar. Já tava me cansando quando ele gritou:
-Ei, Rosa!
Ai minha virgem Maria do Perpétuo Socorro, me socorra! Como é que ele sabe meu nome? Só pode ser um psicopata, pesquisou minha vida e tudo mais. O pânico se instalou, não consegui mais correr, foi quando o homem me agarrou com muita força. Eu pensei “É agora que ele me mata”. Mas o homem começou a gritar frases após frases num mix pouco compreensível:
- Sua louca, desvairada, o que você ta pensando? To correndo há vinte minutos pra lhe entregar a sua carteira de identidade que você deixou cari. Mas eu sou muito trouxa mermo, ta vendo o que dá ser um homem de bem? Sua gazela!...
- Gazela? Como é? Gazela? O senhor tenha respeito, seu cabra safado! Você que é vagabundo que fica correndo por aí, parece que não tem o que fazer. E me devolve a minha carteira!
Puxei o documento e saí, o ladrão ficou lá com cara de abestalhado. Querendo roubar minha identidade, vê se pode, Graças a Deus que eu conseguir recupera-la.
Bella
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por CIRANDA DE DUAS * 1:18 PM
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[Segunda-feira, Maio 04, 2009]
Quando cursava a quarta série Francisco descobriu uma paixão imensurável por história. Adorava conhecer coisas novas sobre o passado. No fim daquele ano, num jantar aparentemente comum, após o garoto ter contado suas descobertas históricas do dia e sua mãe ter contado as descobertas da vida alheia, o seu pai disse que iriam se mudar. Ele havia sido transferido. 7 segundos de silêncio e tensão. Mudar pra onde? O mundo não tinha as dimensões de Piquenópolis, não? Recife. O chefe não deu escolha, era ali ou em lugar algum. Pânico! Recife não! A mulher ouvira falar horrores daquela cidade; a violência comia no centro, no subúrbio, nos bairros nobres e nas redondezas. Ninguém que não tivesse nascido lá sobrevivia, era preciso treinamento de guerrilha. Não tinha jeito.
A princípio Chico ficou animado com a idéia. No pouco que a professora tinha falado de Recife, ele muito tinha se interessado. Mas durante os 15 dias que separaram a notícia do fato, o menino tanto ouviu falar mal da tal cidade que esquecera tudo que aprendera na escola. Passou a odiar de medo. Quais as suas chances naquela guerra urbana noticiada nos telejornais? Se ao menos fosse um ex-combatente da guerra do Paraguai!
Sua casa ficava longe do novo colégio e ele aprendeu a andar de ônibus. A parada era na porta de sua nova casa, a de destino era na porta da escola. “Nunca, jamais, desvie o caminho! Não fale com estranhos. Não olhe pra ninguém. Se afaste se alguém perguntar pelas horas, tudo muito suspeito”. Nas aulas aprendeu muito sobre Recife. Ficou fascinado. Pela cidade histórica, a das revoluções, a da multiculturalidade. Sua mente separava o passado do presente como se houvesse uma parede mais sólida que o muro de Berlim entre os dois. Não morava na cidade grandiosa que vinha conhecendo nos livros. Não mesmo.
Uma vez ficou estudando história até madrugada para a prova do dia seguinte. Fez excelente prova, como sempre. No caminho de volta pra casa deixou-se adormecer com a cabeça encostada na janela do ônibus. Acordou 2,5 minutos depois. Que vacilo! Como pudera desligar-se assim?! Onde estava? Atenção. Com certeza estava sonhando ou pegou o ônibus errado, nunca vira aquele cenário. Aliás, viu uma vez num livro... Pessoalmente era incrivelmente mais bonito o Cais do Apolo. Terminal. Desceu do veículo atônito. O que faria? 5 passos adiante ele esqueceu que estava perdido. Tudo aquilo era razoavelmente familiar. Uns prédios a mais aqui, uns sinais de modernidade ali. Estava dentro do capítulo 7,8 do livro! Aquele que falava da Revolução Praieira. No 9,3 sobre a Insurreição Pernambucana. Mais na frente, na Rua do Bom Jesus presenciou a fundação da primeira Sinagoga judaica das Américas. Impressionante! Que dia era aquele? Não sabia que existia uma data especial em que grande parte dos seus heróis desfilava brincante atrás de uma orquestra de... frevo? Nunca tinha ouvido antes, mas sabia que era frevo. E sabia dançar. No compasso da alegria que sentia naquele momento.
Francisco conseguiu não sabe como voltar pra casa. Pegou seus livros, umas roupas e saiu de casa. “Pai, Mãe... Vou me mudar! Vou Pra Recife. Não quero mais viver nessa cidade violenta onde vocês vivem”.
Bilinha
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por CIRANDA DE DUAS * 9:12 PM
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[Quarta-feira, Abril 29, 2009]
Bom esse é o primeiro post do blog, finalmente! Alguém tem que começar né? Então, vou colocar logo o último texto que eu fiz, depois eu boto os outros que já eram pra estar aqui faz tempo.
Depois de esperar 20 minutos na fila, finalmente chegou a minha vez.
- Um milkshake de ovomaltine pequeno, por favor.
- Moça o médio é apenas R$1,50 mais caro
- Não, brigada. Quero o pequeno mesmo
- Tem certeza? Não compensa...
- Ai, tá certo, o médio então
- Não vai querer nada pra acompanhar?
- Er... um cheeseburger
- Certo, um cheeseburger, vai querer batata também?
- Nao, não só isso
- Mas sai por apenas R$0,55 centavos
-Ai, tá certo. Droga.
No final das contas saí com mais milkshake do que queria, um cheeseburger que nem estava nos planos e de quebra uma batata média de R$0,55 centavos.
Eu sou vítima, mas alimento o sistema da mesma forma. Sou eu que não quero sair no prejuízo, sou eu que quero mais, mesmo sem querer efetivamente, sou eu que não consigo resistir às maravilhas do consumo. Parece pouca coisa, uma batatinha e um cheeseburger, mas é assim que o capitalismo de porco cresce e os seus valores se disseminam, sendo praticados hoje, mesmo que alguns disfarçados. Indiferença, futilidade, insensibilidade, competitividade, egoísmo, medo de perder e de errar. É só uma palhinha dos vestidos caríssimos, dos carros importados, relógios de 1 milhão que não servem pra ver as horas, todas aquelas vitrines limpas e lindas. É, é tudo muito bonito mesmo visto por esse lado, o lado da mídia gorda, o lado dos grandes e poderosos, mas o meu lado não, eu não quero ser isso, nem pensar isso.
Bella
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por CIRANDA DE DUAS * 10:35 PM
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